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Sexualidade

O método de urgência para evitar uma fecundação indesejada

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O que é exatamente a pílula do dia seguinte?

É um medicamento cuja base de composição é hormonal e que evita, temporariamente, a ovulação, impedindo que a fecundação ocorra. Desta forma, pode prevenir uma gravidez que não seja desejada. É um medicamento que se vende exclusivamente em farmácias.

 


Em que situações devo considerar recorrer a este contracetivo de emergência?

As situações mais frequentes de utilização são ter tido relações sexuais não protegidas ou em que tenha ocorrido uma falha nos meios de proteção, como por exemplo, a rotura de um preservativo. Também podem existir outras razões que justifiquem a toma, como é o caso de ter-se esquecido de tomar a pílula dois dias consecutivos ou ter começado a tomá-la, ter colocado o anel vaginal ou o adesivo dois dias mais tarde, ter tomado medicamentos que interfiram com a contraceção hormonal (alguns antibióticos, antiepiléticos e antirretrovirais) e ter vómitos ou diarreia mais de dois dias seguidos, pelo risco de ter também eliminado o medicamento.

Não se esqueça de tomar a sua pílula contraceptiva
Não se esqueça de tomar a sua pílula contraceptiva


Como se usa?

Depois de uma relação sexual desprotegida, e caso não pretenda ficar grávida, a pílula do dia seguinte deve ser administrada com a maior brevidade possível. A menstruação deverá depois surgir na altura que é esperada, apesar de em algumas mulheres, poder aparecer um pouco antes. Se existir um atraso superior a uma semana, então deverá ser feito um teste de gravidez.


As pílulas de emergência que se encontram à venda são todas iguais?

Existem essencialmente duas composições hormonais nas pílulas, a que contém levonogestrel, que é mais eficaz se tomada nas primeiras 72 horas (três dias), e a que contém acetato de ulipristal, que é eficaz até 120 horas ou cinco dias depois da relação sexual.

Precauções na toma da pílula do dia seguinte
Precauções na toma da pílula do dia seguinte


Em que casos a pílula está contraindicada?

As contraindicações são pouco frequentes e relacionam-se essencialmente com a alergia aos constituintes da pílula.

Deve haver algumas precauções com a pílula com acetato de ulipristal durante a fase de amamentação, por não existirem ainda estudos suficientemente robustos que afastem a existência de riscos para a saúde do bebé.

Igualmente as mulheres que sofram com asma grave ou que estejam a ser tratadas com um tipo de medicamentos denominados glucocorticoides orais devem abster-se de usar esta pílula.

Relativamente ao uso de levonorgestrel não existem contraindicações.


Caso existam contraindicações para a pílula convencional pode-se recorrer à pílula de emergência?

As mulheres que tenham contraindicações (como doenças cardiovasculares e tromboembólicas, dislipidemias ou cancros hormonodependentes) para a pílula convencional (que contém estrogénios e progesterona), podem recorrer à pílula do dia seguinte, já que esta não contém estrogénios, que são responsáveis pela maioria dos efeitos tromboembólicos, habitualmente associados à pílula.

Variação do ciclo menstrual após a toma da pílula do dia seguinte
Variação do ciclo menstrual


Após a toma da pílula podem surgir efeitos secundários?

O efeito secundário que ocorre com maior frequência é a variação no ciclo menstrual de, mais ou menos, dois dias. Os restantes efeitos secundários são pouco evidentes e em geral transitórios, como sejam náuseas, dor abdominal e cefaleias.


Quantas vezes por ano posso recorrer a este contracetivo?

Apesar de o uso repetido da contraceção de emergência não se associar a manifestos problemas de saúde, tal como o nome indica, esta contraceção é para ser utilizada em circunstâncias excecionais, não se devendo, pois, fazer um uso regular.

António Hipólito de Aguiar

António Hipólito de Aguiar
(Farmacêutico; Docente Universitário)

 

 

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